Estudo do Livro de Juízes
Análise do Livro de Juízes
Não se sabe ao certo quem escreveu o livro de Juízes, mas após alguns estudos, o livro foi atribuído ao profeta Samuel. Este livro marca uma renovação na questão governamental do povo de Israel. Como Josué havia repartido as terras da Terra Prometida, antes mesmo de todas as tribos as conquistarem, as terras que faltavam ser conquistadas foram sendo adquiridas pelas tribos após a morte de Josué.
Há uma estimativa de 8 a 11 gerações descritas no livro de Juízes, e muitas das histórias contadas, também aconteceram simultaneamente, pois as tribos viviam separadamente umas das outras. Quando lemos o livro, logo percebemos que ele tem ciclos repetidos entre os povos, que são eles:
- Apostasia: Esquecimento e afastamento de Deus e de seus ensinamentos e ordenanças, e a servidão à ídolos;
- Servidão: Eles são capturados e feitos de escravos;
- Clamor: O povo clama à Deus e pede socorro;
- Libertação: Deus ouve o clamor, tem misericórdia e levanta um juiz para libertar o povo;
- Paz: O povo vive períodos de paz enquanto o juiz vive, mas quando morre o juiz eles tornam à idolatria e ao pecado.
E a pergunta é: Porque que isso ocorreu?
Ao ler o livro, podemos perceber que com a morte de Josué, Deus não quis levantar outro líder central ao povo, mas deixou cada tribo se organizar politicamente. Mas Deus foi claro ao ordenar ao povo dizendo: conquistem as terras que faltam, e expulsem os cananeus delas ou derrotem-nos, e não façam alianças de casamento com suas mulheres e nem deem suas mulheres em casamento aos cananeus. Com isso, entendemos que eles não poderiam ter nenhum tipo de concerto com estes povos. Mas o que vemos ocorrer é o contrário. Algumas tribos não conseguiram conquistar as terras nas quais Deus havia dito, e ao invés de pedir instrução ao Senhor, eles coabitaram com os povos inimigos.
Neste livro, nós temos uma mensagem central que precisamos meditar: "e fizeram o que julgaram bom aos seus olhos". O que quer dizer isso? Eles não fizeram conforme a ordenança e direção de Deus, eles fizeram "como acharam que seria melhor". Então, após a conquista de algumas terras eles acharam melhor escravizar os povos conquistados e outros, a viver com eles. E ai está todo o problema. Ao coabitar com estes povos pagãos e de culturas muito más aos olhos do Senhor, após a geração dos pais deles se ir, as novas gerações que vinham não foram sendo instruídas corretamente (como Josué havia dito e reforçado que deveria ser feito, a instrução de filhos corretamente no caminho do Senhor), mesmo antes de se fundirem totalmente, vemos no capítulo 2 que o Senhor envia um anjo para avisá-los e direcioná-los. Mas mesmo assim, eles acabaram por se fundir com os povos pagãos, e quando menos se esperava, estavam levantando imagens de escultura e cultuando deuses pagãos, se misturando matrimonialmente e tomando para si uma cultura na qual era abominável, tudo conforme não era para ser feito. Essa contaminação gerou o grande ciclo dos Juízes.
E vemos do capítulo 3 ao 16 o período dos Juízes maiores e menores. Maiores porque as histórias foram contadas mais detalhadas, e os menores porque a história é menor. E aqui temos as séries de repetições citadas acima: Apostasia -> Servidão -> Clamor -> Libertação e período de Paz enquanto o Juiz vive.
São estes alguns dos juízes:
- Capítulo 3 Otniel;
- Capítulo 4 Débora;
- Capítulo 6 Gideão;
- Capítulo 9 temos a história do Juiz Abimeleque, filho de Gideão (Jerubaal), que após a morte de Gideão, Abimeleque mata os seus irmãos e toma ilegitimamente para si o governo de Siquém, apenas seu irmão mais novo escapou, Jotão, e ele disse a primeira parábola registrada na Bíblia, sobre o governo de seu irmão Abimeleque e as consequências de homens bons serem indiferentes ao ocorrido e deixarem homens maus tomarem o poder facilmente, por quererem se isentar de "problemas".
- Capítulo 10 vemos alguns dos Juizes menores: Tola e Jair;
- Capítulo 11 Jefté: Vemos a história de Jefté e o voto na qual ele fez ao Senhor, de ofertar a primeira coisa que saísse ao seu encontro de sua casa, se ele vencesse os inimigos. E ao chegar da vitória, quem lhe sai é sua única filha, e ele teve que cumprir seu voto. Também ocorre uma guerra civil (cap 12: 1-7) porque a tribo de Efraim veio questionar Jefté o porque não foram chamados para pelear junto com eles, e Jefté respondeu rispidamente que foram chamados, porém ignoraram, então ele foi com os homens que haviam se comprometido. Depois disso, começaram os insultos e a guerra entre as tribos de Israel, resultando em um período de muitas mortes entre si;
- Capítulo 13 temos a história mais "famosa" do livro de Juízes, a história do juiz Sansão. Sansão foi uma promessa do Senhor à Zorá e Manoá. O Anjo veio lhes anunciar que teriam este filho, e o chamariam de Sansão e deveria ser feito um voto nazireu (voto ao Senhor na qual não pode ser quebrado) de que o menino não poderia cortar os cabelos. Então, nasce Sansão e logo na sua juventude, ele mostra-se muito forte, porque o Senhor é consigo e dá sua força, ele derrota exércitos inteiros sozinho, mas ele tinha uma fraqueza: lhe faltava sabedoria. Ao lermos percebemos que ele poderia ser um pouco arrogante em achar que sua força era ele mesmo, e não que o Senhor descia sobre ele e dava-lhe a força. Até que vem Dalila, ele se afeiçoa à Dalila, e ela sempre indiferente com ele, apenas tentando descobrir para os filisteus, seu povo, de onde vinha a força de Sansão. Ele enganava ela, e sempre acabava se livrando e derrotando os homens. Mas, de tanto ela incomodar querendo saber de onde vem a sua força, a Bíblia diz que a sua alma se turbou e ele contou para ela que a força vinha de seus cabelos. Não sabemos ao certo se ela o embebedou ou coisa parecida, mas de fato ele contou. Então ela cortou os cabelos dele enquanto ele dormia, e o Espírito do Senhor se retirou dele. Pois ao cortar o cabelo ele quebrou o voto feito com o Senhor. E os filisteus o capturaram, arrancaram os seus olhos e lançaram ele na prisão. Um dia, enquanto festejavam, estavam muitos homens e mulheres num templo, e chamaram Sansão para diverti-los, e Sansão fez um ultimo pedido ao Senhor "ajude-me a derrubar estas vigas, e assim morreremos eu e este povo", e Deus concedeu, e ajudou-lhe a derrubar as vigas, e caiu por cima de todos. Sansão governou 20 anos.
E do capítulo 17 ao 21 podemos ver a história de um outro ponto de vista, pois se até o capítulo 16 a história foca na servidão e nos juizes, do capítulo 17 em diante a história vai focar nas práticas do povo de Israel, da vida social e moral, e como haviam se desintegrado. Logo no capítulo 17 vemos a história de Mica. Ele edifica um altar pagão, e contrata um sacerdote para servir sua casa (olha como estavam as práticas religiosas, bem fundidas com a dos povos em que coabitaram), e nisso, o povo vendo o que ocorria na casa de Mica, pediram ao sacerdote para servir à tribo de Dã, e roubaram a imagem de escultura de Mica e trouxeram consigo o sacerdote. E os filhos de Dã foram até a cidade chamada Laís tomaram para si, mudaram seu nome para Dã e levantaram ali a imagem de escultura para cultuarem. E ali se estabeleceram até o dia do cativeiro da Babilônia.
Já no capítulo 19 temos a história mais sombria da Bíblia, pelo menos eu acho. Vemos que um homem levita (encarregado do serviço sacerdotal, estipulado por Deus, ainda no livro de Números) havia se desentendido com sua esposa. Ela, por causa do desentendimento resolveu voltar para casa de seus pais. Então o levita foi buscá-la para se reconciliar. Quando estavam voltando para casa, eles precisaram dormir uma noite em uma cidade israelita para poder seguir caminho no dia seguinte. Um senhor lhes deu abrigo, na cidade de Gibeá, e eles entraram. Logo quando entraram, a casa foi cercada pelos homens da tribo de benjamin, que ali viviam, exigiram do senhor que lhes dessem o homem levita. Podemos entender que eles queriam abusar deste home. Mas, o senhor disse que lhes daria a concubina, para fazerem o que quisessem com ela, mas que não tocassem no levita, e assim ele fez, deu-lhes a mulher. Ela foi abusada pela noite inteira por todos estes homens, e na manhã seguinte, deitou-se na porta da casa do senhor, e morreu. O levita à levou de volta e lá, cortou ela em 12 pedaços, e mandou cada pedaço para cada uma das tribos de Israel, e contando-lhes o que tinha ocorrido. As demais tribos se iraram e foram ao encontro do levita para entender melhor o que estava acontecendo, ele contou e então, as tribos se voltaram contra a tribo de benjamin, a ponto de que se tornasse uma nova guerra civil entre as tribos de Israel, e o Senhor ajudou as tribos contra a tribo de benjamin, e tudo quanto tinham, foi ferido à espada. Durou tempos a guerra, mas no fim, acabaram por selar a paz entre seus irmãos.
- Os homens da tribo de benjamin, quando questionados, nem arrependimento mostravam;
- Já o levita, mostrou-se covarde ao sacrificar sua esposa para se salvar;
Podemos ver a que ponto as tribos de Israel haviam chegado. E a frase usada no último versículo do livro de Juízes, capítulo 21: "Naqueles dias não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos" descreve muito bem o período sombrio. Deus foi deixado de lado, os pais se misturaram com povos na qual Deus disse para não se misturarem, fundiram suas culturas e no fim, estavam muito afastados do Senhor, e já instruíram seus filhos erroneamente.
Podemos aprender com este livro muitas lições, mas principalmente, a importância de não fazermos as coisas conforme "achamos ser bom", mas sim, em tudo na nossa vida, levar ao Senhor e pedir direção. Nós pecamos em andar conforme o que achamos ser certo ou errado, em nos acomodarmos em um lugar que não nos cabe, e por isso, nós precisamos andar conforme Deus nos instrui, e temos o DEVER de instruir nossos filhos, para que quando cresçam, não se desviem do caminho. O Senhor é misericordioso, pois mesmo o povo tendo se afastado dele, feito coisas horríveis, se ajoelhado à deuses pagãos, quando clamavam, o Senhor se levantava para ajudar.
Professora Laila Piletti

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