Análise do Livro Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski
Figura 1 – Representação de Rodion Raskólnikov em São Petersburgo. Fonte: Gerado por inteligência artificial (Gemini), 2026.
Análise do Livro Crime e Castigo
Fiódor Dostoiévski
Crime e Castigo é um romance clássico da literatura russa, escrito por Fiódor Dostoiévski após o seu período de exílio na Sibéria. A experiência do autor com o trabalho forçado, a miséria e a moralidade humana no período em que esteve preso influenciaram na criação de suas obras posteriores.
O próprio título do livro nos informa que ao iniciarmos a leitura nós vamos nos deparar com o crime e depois com o castigo, isso não é um mistério para o leitor. O livro é rico em detalhes e a medida em que vamos lendo nós podemos criar na nossa mente o cenário em que se passa a história, pois cada detalhe nos permite imaginar especificamente cada pessoa, casa e locais de São Petersburgo, como também, imaginar as cenas em que os personagens estão interagindo entre si com diálogos muito bem elaborados.
Nós vamos acompanhar a história de Raskonilkov, o Ródia, um jovem extremamente inteligente, de vinte e poucos anos, ex estudante de direito porém desafortunado, que se muda para São Petersburgo para estudar e se formar, a fim de poder ajudar a sua família (mãe e irmã), mas que no fim, ele acaba precisando ser ajudado por elas para poder dar continuidade nos estudos, e quando elas não conseguiram mais mandar dinheiro para ele, ele para de estudar. Ele até tenta dar aulas particulares, mas devido a sua situação, ele precisa parar com a universidade, e consequentemente, perde seus alunos por não estar mais cursando. A situação de Ródia chega num ponto tão precário em que ele não tem mais como se vestir, como se alimentar e como se manter minimamente. Ele tem ajuda, às vezes, de Nástacia, que é a governanta do prédio onde ele mora, que leva para ele sopa e chá quando dá, e quando ela não leva, ele não come. Mas, ao longo da leitura, podemos perceber que há uma extrema desmotivação de Ródia com tudo ao seu redor. Eu particularmente entendi que ele se acha superior às pessoas e é muito soberbo, e possuía uma extrema, não sei se preguiça pode ser a melhor maneira de descrever, mas vamos dizer que é preguiça, de tudo e de todos. O seu entorno também o desmotiva, ele mora num apartamento extremamente pequeno e antigo, num bairro muito pobre e com muitas pessoas humildes ao seu redor.
Há muitos personagens nesta trama, em algum dado momento pode até parecer muito confuso para o leitor, mas a medida que se vai lendo, vamos conseguindo compreender o contexto de cada personagem e sua importância para a história.
Ao longo do texto nós vamos nos deparar com o artigo que Ródia publicara quando ainda era estudante, num jornal. Esse artigo é muito importante para compreendermos a mente de Ródia. Basicamente ele separa as pessoas em dois grupos: os ordinários e os extraordinários. Mas o que ele quer dizer com isso? Ele quer dizer que as pessoas ordinárias são aquelas em que vivem na bolha, obedecendo as leis e tendo noção de moralidade, certo e errado. Já os extraordinários são aqueles em que reconhecem que não existe essa bolha, que tudo foi criado para poder manter as pessoas em um certo tipo de controle e que acham que certas atitudes podem justificar seus atos, pois eles seriam para um "bem maior". Ele tem como seu "ídolo" Napoleão, e para Napoleão chegar onde chegou, alguns crimes precisaram ser cometidos, e era para um "bem maior", por isso, teria justificativas para tais atos e livres de condenações.
Ainda nas primeiras cem páginas do livro nós vamos ver Raskonilkov decidido à cometer o crime. Motivado pela sua situação de extrema miséria e ainda mais depois que soube pela carta de sua mãe, que Dúnia, sua irmã, iria se casar com um tirano simplesmente para ajudar ele e a mãe, ele caiu em uma espécie de fúria que o incentivou ainda mais a cometer tal ato. Então, como ele achava, ele separa as pessoas em dois grupos: as superiores e as que ele descreve como "piolhos". Nessa de se achar superior, ele talvez, tente moldar a sua mente para justificar seus atos hediondos. Ele então assassina a senhora penhorista grosseira para lhe roubar, mas num momento de total devaneio, esquece a porta aberta e sua irmã Lizaveta entra, e ele precisa matá-la também. Vamos ver que ele esconde alguns itens que roubou numa pedra em uma casa, e outros leva consigo e esconde em sua parede, e depois, ele nem se dá ao trabalho de ir ver o que e quanto de fato, tinha roubado, e muito menos ele usufrui do que havia furtado.
Em toda a trama, não vamos ver Ródia arrependido pelo crime que cometeu, mas ele quando se lembra, chega até rir e dizer que fez um favor para aquela velha. Ele leva muito a sério a questão de ser superior e estar no grupo das pessoas extraordinárias, livres de julgamentos e de ter que se justificar. Porém, esse mundo existe apenas em sua mente, o mundo em que ele vive, estava horrorizado e os oficiais procurando pelo culpado do crime.
Apesar de entendermos que Ródia não sentia remorso, ele sentia o "castigo" de outra forma: psicologicamente. Mesmo ele achando que havia justificativas para o crime que cometeu, pois para ele, era para um "bem maior", ele nem ao menos usou o dinheiro ou sabia quanto dinheiro havia roubado. O corpo dele sofreu de outra forma, em forma de doença. Ele entra num estado de paranoia, febre e isolamento. Muitas coisas que ele falou e fez, ele já não se lembrava, pois seu corpo estava em total sofrimento, respondendo com devaneios o sofrimento mental.
Durante a trama, vemos que Ródia mesmo sendo isolado e afastado de todos, ele possui amigos que trabalham em prol de ajudá-lo com sua doença, até então, de motivo desconhecido. Razumikhin que era seu amigo da faculdade, o auxilia e não abandona o amigo em seu momento de sofrimento, trás um medico seu amigo para cuidar dele, depois ajuda com sua mãe e irmã Dúnia. Ele também, juntamente com os conhecidos de Ródia, depois vão lá apoiá-lo após ele se entregar, falando que ele havia salvado crianças de um incêndio, que dava seu último trocado para auxiliar uma viúva e seus filhos, que ajudava as pessoas ao seu redor. Ele tinha sérios conflitos internos e de moralidade, ele julgava algumas pessoas e ajudava outras.
E então chegamos ao momento em que ele conhece Sofia. Sofia era a filha daquele homem bêbado que ele conheceu no início, Marmeladov, que morre ao longo da história e por isso, ele conhece Sofia. Ela era a filha querida, que vendia seu próprio corpo para ajudar a família financeiramente. Ela pode ser a representação da redenção nessa leitura. Ele vê em Sofia alguém como ele, em que os dois maltratavam seus corpos em prol de um bem maior. Eram pecadores igualmente, na ideia dele. E Sofia via nele alguém pecador como ela, que precisava de remissão dos pecados. Eles se gostam desde o primeiro encontro, e no final, vemos que ela o segue mesmo depois de saber do crime que ele cometeu, ela tem fé que ele mudaria mas para isso, precisava se remir dos pecados pagando pelo seu crime e confessando para as autoridades, pois o sofrimento não seria em vão, mas seria um caminho necessário para a purificação da alma. Ela o acompanha na Sibéria, o visita e aguarda por ele até que ele cumpra a sua pena.
Para finalizar, eu acredito que o livro Crime e Castigo nos passa muitas mensagens importantes. A gente é levado a refletir sobre a moralidade e a razão, quando vemos que há teorias de racionalidade intelectuais frias que podem levar a atos desumanos. Também sobre a questão da culpa e da consciência, pois a punição mais severa para um crime está na própria mente do indivíduo, e que ela pode ser uma forte arma contra a si próprio. Mesmo que ele pense que há pessoas extraordinárias, essa teoria cai por terra no momento em que ele sofre fisicamente pelo crime cometido, mesmo pensando o contrário, no subconsciente humano há leis morais profundas que não podem ser silenciadas por justificativas intelectuais. E sobre redenção e sofrimento. A ideia de que o sofrimento não é em vão, mas é um caminho necessário a se percorrer para a purificação da alma. O intelecto não vale nada se a pessoa não possuir capacidade de ter empatia pelas outras e de reconhecer os próprios erros.
Referencias Bibliográficas
GEMINI (Modelo de linguagem). Representação visual de Rodion Raskólnikov com machado em São Petersburgo. Imagem gerada por inteligência artificial a partir de comando do usuário. [S.l.], 10 set. 2026.
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Crime e castigo. Tradução de Paulo Bezerra. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2001.


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